Coletiva – Para que eu possa ouvir

Cristina Suzuki, Erica Kaminishi, Francisco Valdés, João Tolomei Opriê, Lecuona y Hernández, Renan Marcondes, Rodrigo Linhares, Stephan Doitschinoff e Thiago Toes

O condicional é de propósito, ele depende de você para agir. Depende de uma ação. Como o próprio nome diz, condicional é gerador de uma condição, de uma proposta, de um valor. Aqui há uma relação simples como propusemos e o sentido de se ouvir uma exposição de artes visuais. Como se ouve uma exposição que é visual?

É com o coração.
Se ouve com o silêncio ou com o barulho, da forma que você se sente melhor para refletir.

A exposição que traz artistas diversos da mais recente produção brasileira e latino-americana convida a pensar sobre uma questão fundamental, que é o conceito de alteridade. O olhar com alteridade é aquele que olha para uma pessoa e se coloca no lugar dela, e a partir desse olhar é que se pode perceber, tentar compreender uma parte do que aquela pessoa é/vive. É um processo difícil pois consiste em destruir idiossincrasias que estão enraizadas no nosso ser e proporcionar um olhar novo, aberto ao novo.

O termo alteridade vem dos estudos de Todorov, que quando escreve no livro A conquista da América sobre a colonização espanhola, descreve métodos de conquista e desbravamento para que a mimetização e aproximação das sociedades ameríndias pudessem ser colonizadas. Atualmente, o termo alteridade tem mais a ver com a relação do eu e da construção do eu coletivo, na medida em que não anula o eu e, pelo contrário, entende esse eu, interage e contribui para a sociedade como um todo.

A exemplo disso temos a transformação da educação nos últimos anos, podendo absorver questões pedagógicas em comunidades indígenas, ribeirinhas, interioranas e outras. Portanto, um olhar com alteridade se coloca no lugar do outro, se pensa no lugar do outro, tenta sentir o lugar do outro, para que possa favorecer um entendimento e respeitar melhor as diferenças.

Todos os artistas que participam desta mostra falam sobre um silêncio. Alguns de forma mais brutal como João Tolomei Opriê, no meio da floresta e em conexão com o homem natural, com a raiz daquilo que nos cerca, metaforicamente falando, como um retorno a paz. João parte da referência da natureza e do corpo nu para se apropriar do silêncio que a mata lhe proporciona, e pode incitar diversas dúvidas e questionamentos, esperando que os gritos silenciosos possam dar vazão a dor do ser no mundo capitalista, artificial e da angústia da solidão, mesmo que ela esteja no silêncio ou no caos.

Todos os artistas que participam desta mostra falam sobre um silêncio. Alguns de forma mais brutal como João Tolomei Opriê, no meio da floresta e em conexão com o homem natural, com a raiz daquilo que nos cerca, metaforicamente falando, como um retorno a paz. João parte da referência da natureza e do corpo nu para se apropriar do silêncio que a mata lhe proporciona, e pode incitar diversas dúvidas e questionamentos, esperando que os gritos silenciosos possam dar vazão a dor do ser no mundo capitalista, artificial e da angústia da solidão, mesmo que ela esteja no silêncio ou no caos.

Sobre o curador 
Douglas Negrisolli é curador de Artes Visuais, com ênfase em produção moderna e contemporânea. Doutor e Mestre em Educação, Artes e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (São Paulo), Historiador pelo Centro Universitário Fundação Santo André, atualmente desenvolve pesquisas relacionadas a Salões de Arte e mercado de Artes Visuais. Produziu e curou exposições como “Thiago Toes: Celeste” (2013), na OMA Galeria, “Pierino Massenzi: trajetórias em cor” (2014), na Pinacoteca de São Bernardo do Campo e “Memórias e Ações dos Salões de Arte Contemporânea de Santo André”, premiada no edital PROAC/2014. É fundador e CEO do Artyou, software desenvolvido para Artes Visuais que funciona como um acervo virtual de obras de arte.

Serviço
Abertura: 08 de abril, das 10h às 17h.
Exposição até 20 de maio, de terça a sexta, das 10 às 19h; sábados, até as 17h.
Entrada gratuita.